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Ouro e prata batem recordes, e dólar cai – 12/01/2026 – Economia


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O ouro e a prata dispararam na manhã desta segunda-feira (12) e atingiram um novo recorde, enquanto o dólar e os futuros de Wall Street cairam após promotores dos EUA iniciarem uma investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, aumentando preocupações sobre a independência do banco central do país.

O ouro chegou a subir 2% para US$ 4.600 (R$ 24,66 mil) por onça troy e a prata saltou até 5,9%, alcançando US$ 84,60 (R$ 453,47).

Ao mesmo tempo, o dólar desvalorizou até 0,5% na comparação com uma cesta de seis das principais moedas do mundo. Às 9h30, o índice caía 0,31%, e a moeda norte-americana sofria desvalorização frente ao euro (0,4%) e ao franco suíço (0,42%).

Os futuros que acompanham as ações dos EUA também caíram, com os do S&P 500 recuando 0,7% e os do Nasdaq 100 perdendo 0,9%. As ações europeias caíram ligeiramente, com o índice continental Stoxx 600 perdendo 0,1%.

Já o rendimento do título do Tesouro de 10 anos dos EUA, que se move inversamente ao preço, subiu 0,03 ponto percentual para 4,2%.

“Já passamos por isso antes —pressão política sobre o Fed significa um dólar americano mais baixo, rendimentos mais altos dos títulos do Tesouro americano de longo prazo e expectativas de inflação mais altas”, comentou Mike Riddell, gestor de fundos da Fidelity International.

No domingo, Powell afirmou que o Fed recebeu intimações de um grande júri e uma ameaça de acusação criminal do departamento de justiça relacionadas ao seu testemunho perante o Congresso sobre a reforma de US$ 2,5 bilhões da sede do banco central.

“O Fed como o entendemos como instituição nas últimas décadas está desaparecendo de vista. Está operando em um ambiente diferente”, afirmou Richard Yetsenga, economista-chefe e chefe de pesquisa do ANZ.

Analistas do ING disseram que, embora os riscos para o dólar fossem “significativos”, os mercados agora estavam em “modo de espera” enquanto tentavam avaliar o impacto. “Os mercados ainda não estão prontos para precificar uma perda de independência do Fed”, disse Francesco Pesole, estrategista de câmbio do ING.

O recorde histórico do ouro ocorre enquanto tensões geopolíticas crescentes alimentam a demanda. O metal foi envolvido no que foi chamado de “comércio de desvalorização”, à medida que investidores se preocupam que a pressão política sobre o Fed para manter as taxas de juros artificialmente baixas eventualmente desvalorizará os ativos em dólar.

“O ouro é o principal ativo de risco geopolítico, mais do que qualquer outro ativo”, declarou John Woods, diretor de investimentos para a Ásia na Lombard Odier. “Há simplesmente muito risco geopolítico no mercado agora.”

Pouco mais de uma semana após as forças dos EUA capturarem o ditador venezuelano Nicolás Maduro, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que estava considerando operações militares no Irã devido à repressão do regime aos protestos nacionais.

A investigação do departamento de justiça sobre Powell segue uma campanha da administração Trump para forçar o Fed a cortar as taxas de juros de forma mais agressiva, apesar das preocupações persistentes sobre reacender a inflação.

Woods, da Lombard Odier, previu volatilidade contínua no ouro, mas não em títulos, ações ou petróleo.

“Parece-me que esses ativos de risco tradicionais ignoram esse tipo de risco geopolítico e o ouro não. O ouro é único nesse aspecto”, apontou Woods.

Com informações do Financial Times e da Reuters



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