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Índia e Brasil ainda têm pouca relação comercial no agronegócio – 19/02/2026 – Vaivém


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O presidente Lula está na Índia para efetivar negócios em vários setores da economia, inclusive no agronegócio. Quarta potência econômica mundial e com a maior população do mundo, a Índia representa pouco para o agronegócio brasileiro. E vice-versa.

No ano passado, o fluxo comercial do setor entre os dois países foi de US$ 4,03 bilhões, com exportações brasileiras de US$ 3,2 bilhões e importações de US$ 824 milhões.

A Índia está fora da relação dos dez principais parceiros do Brasil no agronegócio e ocupa apenas a quinta posição entre os asiáticos. Açúcar, óleo de soja e algodão lideraram a lista das exportações brasileiras no ano passado, e adubo e agrotóxicos, a das importações brasileiras. Só os agroquímicos importados somaram US$ 544 milhões, com volume de 122 mil toneladas.

Os indianos veem, porém, um produto brasileiro como o sonho de consumo deles. As negociações que vêm de longo prazo, contudo, não avançam, devido a uma política interna do país asiático.

É o óleo de soja. Os indianos são os maiores importadores de óleos vegetais do mundo. Buscam 16 milhões de toneladas por ano no mercado externo. Compram 9,1 milhões de toneladas de óleo de palma e 4,3 milhões de toneladas de óleo de soja. O Brasil teria possibilidade de incrementar esse comércio, uma vez que é o terceiro maior produtor mundial deste produto e o segundo maior exportador.

“É uma discussão antiga”, diz André Nassar, presidente da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais). O país poderia vender um volume maior para os indianos, mas a compra deles é muito inconstante, o que não anima a indústria brasileira a investir mais com foco naquele mercado.

Por ter uma demanda grande, os indianos sempre buscam o produto de menor preço no mercado externo, optando ora pelo óleo de palma, ora pelo de soja, além dos de girassol, canola, colza e outros. No ano passado, o Brasil vendeu 969 mil toneladas para a Índia.

A indústria brasileira tem atualmente um foco grande no mercado interno. Além da demanda para a alimentação, aumenta o volume de óleo de soja na mistura do biodiesel. O mercado está ajustado, e sobra pouco para as exportações, próximo de 1,3 milhão de toneladas por ano, segundo o presidente da Abiove.

“Os investimentos em esmagamento estão ocorrendo, mas com foco no biodiesel”, diz. O mercado da Índia é gigante, mas um programa de investimento voltado para aquele país teria de levar em consideração as compras constantes, inclusive as de farelo de soja, mas a Índia não importa soja e farelo transgênico.

A dificuldade de exportações para o país asiático vem também da mudança contínua de tarifa sobre o produto. “Eu nem sei quanto é a tarifa atual, uma vez que ela sobe e desce o tempo todo”, diz ele.

Se os indianos comprassem farelo, seria diferente, uma vez que o processamento industrial seria para atender a venda não apenas de óleo, mas também de farelo. Nassar diz que eles ainda não fizeram essa transição que a China fez de alimentar os animais com ração balanceada. Os indianos produzem pouca proteína animal, em relação ao potencial.

Os investimentos para o fornecimento maior de óleo para os indianos não se limitariam às indústrias, mas também ao sistema portuário, uma vez que há uma concentração das exportações pelo porto de Paranaguá (PR).

Com dificuldades de compra no mercado brasileiro, a preocupação dos indianos aumenta ainda mais, uma vez que a Indonésia, grande fornecedora de óleo de palma, está com um programa robusto de utilização do óleo na produção de biodiesel. Isso leva os indianos na busca por novos mercados de óleo vegetal, produto indispensável no dia a dia do país.

Um mercado que o Brasil poderia explorar mais é o dos chamados pulses (grão-de-bico, lentilha, ervilha e feijões especiais). A Embrapa tem desenvolvido novas tecnologias para esses produtos, mas o agricultor teria de aumentar a rotação de culturas, substituindo áreas de soja em algumas regiões apropriadas para os pulses. No ano passado, as exportações brasileiras desses produtos para os indianos somaram US$ 256 milhões.


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