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A República das Havaianas – 23/12/2025 – Mariliz Pereira Jorge

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A República das Havaianas – 23/12/2025 – Mariliz Pereira Jorge

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Domingo, 21, não li notícias. Fez um dia lindo no Rio, perfeito para celebrar a chegada do verão e o meu aniversário. Pois é, estou ficando velha —para delírio de quem acha que “velha” é xingamento. Mas, como sou uma véia contemporânea, depois da praia emendei no show do João Gomes. Saí de lá com aquela sensação gostosa de que “a vida presta”. Foi o que escrevi num post para agradecer amigos e leitores que passaram por lá para me desejar felicidades. Nem imaginei o perigo que corria ao recorrer à frase dita por Fernanda Torres no premiado “Ainda Estou Aqui”, aquele mesmo que “incomodou” a direita por mostrar o óbvio: sequestro, morte, tortura na ditadura.

Voltei para a realidade como quem pisa num lego. Saí de casa de Havaianas —hábito adquirido na cidade onde chinelo é bem-vindo do supermercado ao restaurante— sem imaginar que cometia um ato político. Da padaria ao salão, fui interpelada com a mesma pergunta: o que eu tinha achado da propaganda. De repente, o calçado mais democrático, ops, virou símbolo de resistência. Uma piadinha bagaceira de fim de ano ganhou ares de mensagem cifrada e a publicidade passou a ser lida como se estivéssemos de volta aos tempos de repressão, quando frases precisavam ser decodificadas para escapar da censura.

O Impacto da Publicidade nas Havaianas

As pessoas enlouqueceram. Um trocadilho de quinta série virou tese de semiótica aplicada. Todo tipo de sabichão resolveu explicar “o que a marca quis dizer”. Pipocaram vídeos sobre mensagens subliminares, códigos ocultos, intenções golpistas comunistas. Teve loja em Santa Catarina com liquidação a R$ 1 “em protesto”. Vendeu tudo. Só rindo. As ações subiram. Só rindo. Um surto coletivo, um atestado de burrice coletiva num país afogado em problemas reais. E não, cancelamento não é exclusividade da direita. Gente surtada existe em todo o espectro ideológico e a esquerda adora ver segundas intenções onde só tem estratégia de venda.

O Que Está por Trás do Fenômeno?

O fenômeno das Havaianas como símbolo de resistência não é apenas uma questão de marketing. Reflete um momento de polarização política no Brasil, onde até mesmo um simples chinelo pode ser interpretado como um ato de rebeldia. A cultura do cancelamento e as reações exacerbadas a campanhas publicitárias mostram como a sociedade está em constante ebulição. A polarização política trouxe à tona discussões sobre liberdade de expressão e o papel das marcas na sociedade.

O Papel das Marcas em Tempos de Crise

As marcas, como a Havaianas, têm um papel crucial em tempos de crise. Elas podem se posicionar de forma a refletir os valores de seus consumidores e, ao mesmo tempo, provocar discussões sobre temas relevantes. A forma como a Havaianas lidou com a controvérsia em torno de sua campanha é um exemplo de como a publicidade pode ser uma ferramenta poderosa para engajamento social.

Como as Marcas Podem Navegar em Águas Turbulentas

Para marcas que desejam se posicionar em questões sociais e políticas, é essencial ter clareza sobre sua identidade e valores. A comunicação deve ser autêntica e alinhada com a missão da empresa. Além disso, é importante estar preparado para reações adversas, como boicotes ou críticas. A transparência e o diálogo aberto com os consumidores são fundamentais para construir uma relação de confiança.

Conclusão: O Futuro das Havaianas e do Brasil

Alguém acha que tem alguma chance de que 2026 seja melhor? O Brasil está na moda, mas politicamente não tem a menor chance de dar certo. O que podemos esperar para o futuro das Havaianas e do cenário político brasileiro? A marca, que se tornou um símbolo de resistência, pode continuar a ser um reflexo das tensões sociais. O importante é que os consumidores continuem a se engajar e a questionar, pois isso é o que realmente importa em uma democracia.

Havaianas - Símbolo de resistência e cultura no Brasil

Para mais informações sobre a relação entre marcas e política, confira este artigo da Forbes.

Se você gostou deste texto, não deixe de conferir também A República das Havaianas para mais insights sobre a cultura brasileira.

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