Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, a mulher do ator Chadwick Boseman, Simone Ledward Boseman, compartilhou as pressões para tomar decisões sobre qual seria o legado do marido, ao mesmo tempo em que lidava com o luto.
Boseman, que teve a carreira catapultada após viver o primeiro protagonista negro da Marvel, em "Pantera Negra", morreu aos 43 anos em decorrência de um câncer de cólon, em 2020.
Desde a morte do marido, Simone passou a representar Bosemane participou de cerimônias para receber, em seu nome, uma série de prêmios.
"Não preciso criar o legado dele, só preciso protegê-lo", afirmou ao The Guardian. "Só preciso garantir que ele não seja apagado. É por isso que adoro falar sobre ele, acho importante que as pessoas o entendam como um ser humano completo, que tenham uma visão completa de quem ele era."
Simone defende que falar sobre o marido é manter sua memória viva. "Adoro saber que ele viveu e que seu espírito ainda vive. Adoro poder me conectar com ele em espírito agora, o que é a parte mais difícil do luto, tentar reconstruir uma conexão que você tinha no físico e que agora só existe no espiritual."
O diagnóstico de Boseman foi dado em 2016 e foi mantido em segredo. Apenas alguns familiares e amigos sabiam. "Eu tinha meu terapeuta e minha mãe, e basicamente era só isso. O círculo virou um ponto", conta Simone.
A escolha pelo segredo veio da percepção de que um diagnóstico de câncer poderia atrapalhar a carreira de Boseman. "Ele nunca quis ser tratado de forma diferente. Muitos dos papéis que ele interpretou exigiam muito esforço físico, e mesmo assim ele queria fazê-los. Ele não queria ser julgado pelo que estava passando. Ele não queria que o diagnóstico interferisse no seu trabalho."
Durante o tratamento, o ator trabalhou na filmagem de sete filmes, incluindo "Pantera Negra", além de ter feito inúmeras aparições públicas.
Simone conta que o casal viveu o seu melhor ano em 2018. Na época, "Pantera Negra" havia arrecadado US$ 1,3 bilhão em seu lançamento inicial, quebrando inúmeros recordes de bilheteria, e o câncer de Chadwick havia entrado em remissão, o que levou à renovação do entusiasmo.
"Imagine estar pronto para viver cem vezes mais do que você já viveu. Nossa gratidão um pelo outro, a gratidão dele pelo próprio tempo, foi um ano realmente lindo. Estávamos viajando, conhecendo o mundo e muito apaixonados." No final daquele mesmo ano, entretanto, o câncer do ator não apenas retornou como progrediu.
Durante o tratamento, o casal optou por não reconhecer a possibilidade de Boseman não sobreviver. Segundo Simone, trabalhar com essa ideia parecia "quase uma traição" à fé de ambos. Hoje, a viúva vê esse momento com arrependimento.
"Às vezes, gostaria que tivéssemos podido conversar sobre essas coisas, para que ele pudesse ao menos começar a pensar nisso e encarar a morte com menos medo. Eu gostaria de ter me sentido mais à vontade para perguntar a ele o que ele queria. Não apenas para ele, mas para mim, para a família dele. Quando conversamos sobre isso, ele me disse que ficava feliz em saber que ficaríamos bem."
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