Rio Tinto e Glencore desistem de fusão - 05/02/2026 - Economia

A Rio Tinto abandonou as negociações para comprar a Glencore, encerrando meses de conversas sobre uma fusão que poderia redesenhar a indústria global de mineração.

A operação, tornada pública em janeiro, criaria a maior mineradora do mundo, com valor de mercado superior a US$ 200 bilhões. A Rio afirmou que as empresas não chegaram a um acordo que gerasse valor suficiente para os acionistas.

Foi a segunda rodada de tratativas fracassadas em pouco mais de um ano —e a terceira no total. Uma abordagem anterior havia sido feita pela Glencore no fim de 2024, segundo uma fonte próxima ao tema.

Outras megatransações no setor também não avançaram. A tentativa da BHP de comprar a Anglo American por US$ 49 bilhões, por exemplo, naufragou após preocupações com a estrutura da oferta, em um momento em que mineradoras buscam ganhar escala diante da alta demanda por metais.

A única operação ainda em andamento é a fusão, avaliada em US$ 53 bilhões e sem prêmio, entre Anglo American e a canadense Teck Resources, que pode criar a quinta maior produtora de cobre do mundo.

As ações da Glencore fecharam em queda de 7%, enquanto os papéis da Rio Tinto recuaram 2,6% em Londres.

Analistas veem chance de as empresas retomarem conversas no futuro, mas avaliam que, por ora, a Rio deve seguir sozinha. Para a Glencore, a fusão poderia ter sido a forma mais simples de destravar valor e impulsionar o preço das ações.

A Rio já havia rejeitado uma proposta semelhante em 2014, alegando que o negócio não atendia aos interesses dos acionistas. Desta vez, porém, o processo foi mais profundo, com diligência detalhada entre as partes.

Embora o cobre fosse um dos principais atrativos, a Rio buscava adquirir a Glencore como um todo, incluindo operações de carvão e a área de comercialização de commodities.

A Glencore afirmou que a proposta não refletia adequadamente o valor de longo prazo de seus ativos, especialmente o portfólio de cobre e seus projetos de expansão.

Analistas estimavam que um acordo incluiria prêmio médio de cerca de 30%, o daria aos acionistas da Glencore cerca de 38% da empresa combinada. A mineradora, porém, buscava participação mais próxima de 40%.

O preço do IPO da Glencore, em 2011, segue como referência para a administração, que pretendia obter um prêmio adicional sobre esse patamar. As empresas não divulgaram oficialmente os termos discutidos.

Em paralelo, a Glencore tem reforçado sua estratégia no cobre e projeta alcançar produção de 1,6 milhão de toneladas até 2035, ante 852 mil toneladas no último ano.

A demanda global pelo metal deve crescer cerca de 50% até 2040, impulsionada pela transição energética e pelo avanço da inteligência artificial.

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