É consenso entre os cientistas que a ordem planetária de um sistema estelar segue um padrão: os planetas mais próximos da estrela são pequenos e rochosos, enquanto os mais distantes são gigantes gasosos — nosso Sistema Solar é distribuído dessa maneira.
No entanto, ao investigar o sistema formado pela estrela LHS 1903, astrônomos da Universidade de Warwick, no Reino Unido, encontraram uma organização distinta. Por lá, como esperado, o primeiro planeta é rochoso e os dois seguintes, gigantes gasosos. O que intrigou os especialistas é que novas análises mostraram que o quarto e mais distante objeto planetário é rochoso, fugindo do padrão.
“Isso faz com que seja um sistema invertido, com uma ordem planetária de rochoso-gasoso-gasoso e depois rochoso novamente. Planetas rochosos normalmente não se formam tão longe de sua estrela”, aponta o principal autor do estudo, Thomas Wilson, pesquisador da Universidade de Warwick, no Reino Unido.
A descoberta veio através da análise dos dados de diferentes telescópios, incluindo o Cheops, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês). O trabalho contou com a participação de mais de 170 cientistas internacionais e teve os resultados publicados na revista Science nessa quinta-feira (12/2).
O Cheops é um telescópio espacial desenvolvido especialmente para buscar exoplanetas (planetas localizados fora do nosso Sistema Solar), como no caso dos que orbitam a estrela LHS 1903. A partir do instrumento, foi possível detectar a presença do planeta distante e rochoso.
Na teoria de formação planetária tradicional, os planetas mais próximos da estrela são pequenos e rochosos porque recebem grande quantidade de radiação do corpo estelar quando ele ejeta gás do seu núcleo rochoso.
Já os gigantes gasosos ocorrem devido a região fria onde estão localizados no sistema. Uma atmosfera densa se forma ao redor dos núcleos iniciais e o planeta se cria.
No entanto, toda a conjectura cai por terra com o sistema da LHS 1903. A suspeita é que o quarto planeta tenha se formado em um sistema exoplanetário já sem muito gás, o que tornaria seu desenvolvimento ainda mais intrigante.
“Parece que encontramos a primeira evidência de um planeta que se formou no que chamamos de ambiente com poucos gases”, revela Wilson em comunicado.
Novos estudos serão necessários para trazer um veredito sobre a formação do quarto planeta do LHS 1903 e, quem sabe, atualizar as teorias de formação planetária atuais.
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