O gabinete de segurança de Israel aprovou neste domingo (8) uma série de medidas que facilitariam a compra de terras por colonos na Cisjordânia ocupada, ao mesmo tempo em que concede às autoridades israelenses mais poderes de fiscalização sobre os palestinos, informou a imprensa israelense.
A Cisjordânia está entre os territórios que os palestinos reivindicam para um futuro Estado independente. Grande parte dela está sob controle militar israelense, com autogoverno palestino limitado em algumas áreas administradas pela Autoridade Palestina.
Citando declarações do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, e do ministro da Defesa, Israel Katz, os sites de notícias israelenses Ynet e Haaretz afirmaram que as medidas incluem a revogação de regulamentações de décadas que impedem cidadãos judeus de comprar terras na Cisjordânia como pessoas físicas.
Até aqui, os assentamentos judaicos que ocupam boa parte do território palestino —de maneira ilegal, segundo a grande maioria da comunidade internacional— foram formados principalmente por meio de confisco de terras de palestinos com apoio das Forças Armadas israelenses. Com a mudança divulgada neste domingo, cidadãos privados judeus poderiam adquirir terras por conta própria.
Também foi noticiado que as medidas incluem permitir que autoridades israelenses administrem alguns locais religiosos e expandam a supervisão e fiscalização em áreas sob administração da Autoridade Palestina em questões de riscos ambientais, infrações hídricas e danos a sítios arqueológicos.
O presidente palestino Mahmoud Abbas disse que as novas medidas são perigosas, ilegais e equivalem a uma anexação de fato, e pediu que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Conselho de Segurança da ONU intervenham.
As novas medidas chegam três dias antes de o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu visitar os EUA, onde deve se encontrar com Trump. O republicano já disse que não permitirá a anexação israelense da Cisjordânia, mas seu governo não buscou conter a construção acelerada de assentamentos por Israel, que os palestinos dizem negar-lhes um potencial Estado ao corroer seu território.
Netanyahu, que enfrentará uma eleição ainda este ano, considera o estabelecimento de qualquer Estado palestino uma ameaça à segurança israelense.
Sua coalizão governante inclui muitos membros pró-colonos que querem que Israel anexe a Cisjordânia, território capturado na guerra de 1967 ao qual Israel reivindica laços históricos.
A mais alta corte das Nações Unidas afirmou em parecer consultivo não vinculante em 2024 que a ocupação israelense dos territórios palestinos e os assentamentos ali são ilegais e devem ser encerrados o mais rápido possível. Israel contesta essa visão.
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