Uma porta-voz da OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou na sexta-feira (30) que o risco de disseminação do vírus Nipah é baixo. Nenhum dos mais de 190 contatos das duas pessoas infectadas na Índia testou positivo ou apresentou sintomas da doença.
“O risco em nível nacional, regional e global é considerado baixo”, disse Anais Legand, do Programa de Emergências de Saúde da OMS, em entrevista a jornalistas em Genebra. De acordo com ela, os dois pacientes seguem hospitalizados e vivos.
A Índia teve dois casos confirmados, ambos entre profissionais de saúde, em Bengala Ocidental. O último caso de infecção pelo patógeno no estado havia ocorrido em 2007.
O Ministério da Saúde brasileiro também informou na sexta-feira que não há “nenhuma evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira”.
“Diante do cenário atual, não há qualquer indicação de risco para a população brasileira. As autoridades de saúde seguem em monitoramento contínuo, em alinhamento com organismos internacionais”, disse a pasta em comunicado.
O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia, e desde então os surtos ocorreram em países do Sudeste Asiático, que dispõem de protocolos de emergência para rápida detecção e controle, com acompanhamento da OMS, segundo o Ministério da Saúde.
A transmissão do Nipah é zoonótica, associada principalmente a morcegos frutíferos —espécies que não existem no Brasil. A infecção pode ocorrer por ingestão de alimentos contaminados ou, mais raramente, por contato direto entre pessoas ou com superfícies contaminadas.
O novo surto do Nipah na Índia colocou o país em alerta. Não houve registro de mortes no surto atual, porém, a taxa de letalidade do vírus Nipah é de 40% a 75%, segundo a OMS.
Onde ocorreram os surtos anteriores?
O surto de 1998 na Malásia e Singapura matou mais de 100 pessoas e infectou quase 300. Desde então, se espalhou por milhares de quilômetros, matando entre 72% e 86% dos infectados.
Mais de 600 casos de infecções humanas pelo vírus Nipah foram relatados entre 1998 e 2015, mostram dados da OMS.
Um surto de 2001 na Índia e mais dois em Bangladesh mataram 62 das 91 pessoas infectadas.
Em 2018, um surto em Kerala ceifou 21 vidas, com outros surtos em 2019 e 2021.
Partes de Kerala estão entre as que correm mais risco global de surtos de vírus de morcegos, mostrou uma investigação da Reuters em maio.

