O aumento dos gastos dos visitantes nos parques temáticos e cruzeiros da Disney impulsionou as receitas da empresa nos últimos três meses de 2025, mas a companhia alertou sobre potenciais “obstáculos de visitantes estrangeiros” em seus parques nos Estados Unidos.
A Disney afirmou que haverá apenas um crescimento modesto no negócio de experiências no trimestre atual. A orientação surge após uma queda de 6% no número de visitantes estrangeiros aos EUA no ano passado, segundo o órgão do setor World Travel & Tourism Council, em meio a tensões entre a administração Trump e outros países, incluindo México e Canadá.
A empresa disse que espera um crescimento maior em seu negócio de experiências na segunda metade do ano, após o lançamento em março de seu oitavo navio de cruzeiro, o Disney Adventure, em Singapura.
A Disney informou nesta segunda-feira (2) um lucro líquido de US$ 2,4 bilhões, ou US$ 1,34 por ação, sobre uma receita de US$ 26 bilhões no primeiro trimestre fiscal. Os lucros ajustados de US$ 1,63 por ação ficaram acima das previsões de Wall Street. As ações caíram mais de 6%.
Os resultados surgem antes de uma reunião do conselho da Disney esta semana, que afirmou que decidirá a respeito de um sucessor para o CEO Bob Iger no início deste ano. Os principais candidatos são Josh D’Amaro, o chefe do negócio de parques temáticos, e Dana Walden, co-presidente de entretenimento.
Alguns investidores, analistas e ex-executivos da empresa veem D’Amaro, que está expandindo a frota de cruzeiros para 13 e supervisionando a construção de um novo parque temático em Abu Dhabi, como o candidato interno mais provável para suceder Iger.
“Os investidores estão esperando que seja Josh D’Amaro”, disse Rich Greenfield, veterano analista de mídia da LightShed Partners. “Não acho que alguém possua ações da Disney por qualquer outro motivo além dos parques temáticos agora.”
A receita da plataforma de streaming da empresa, liderado por Walden, aumentou 11% no trimestre. Os estúdios de cinema tiveram vários sucessos na temporada de férias, incluindo “Avatar: Fogo e Cinzas” e “Zootopia 2”. No entanto, os custos de marketing para os novos lançamentos compensaram o aumento da receita de bilheteria no trimestre.
A Disney disse que espera registrar crescimento de lucros de dois dígitos e recomprar US$ 7 bilhões de suas próprias ações em 2026.
Iger retornou à Disney em novembro de 2022 após o breve mandato de seu sucessor, Bob Chapek. As ações subiram cerca de 13% desde então.
Iger disse aos analistas durante uma ligação nesta segunda-feira (2) que a “empresa estava em uma situação muito melhor do que estava há três anos”, afirmando que ele tinha “uma quantidade enorme de coisas que precisavam ser consertadas” quando retornou.
Ele disse que seu sucessor assumiria um negócio que agora estava bem posicionado em suas divisões de entretenimento e parques.
“Ambos têm a capacidade de crescer bem no futuro”, acrescentou Iger, embora tenha previsto que o próximo chefe não se contentaria com o “status quo” dado o quão rápido o setor estava mudando.