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Psicodélicos: 2026 será ano da virada para terapias – 01/01/2026 – Virada Psicodélica


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Uma previsão arriscada, como qualquer outra: 2026 será o ano da virada psicodélica, finalmente. Ou, quem sabe, 2027.

Quando este blog foi lançado em 2020, esperava-se que em poucos anos a psicoterapia assistida por psicodélicos (PAP) seria aprovada. Em 2024 já se dava como certo que a agência de fármacos dos EUA, a FDA, chancelaria MDMA (ecstasy) para transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) –só que não, em agosto veio o balde d’água fria.

Há indícios de que o novo ano presenciará uma volta por cima, por exemplo com uma autorização para tratar depressão com psilocibina. Percalços poderão ocorrer, claro, como uma guinada política nas eleições parlamentares cortando as asas imperiais de Trump, ou ejetando da saúde Kennedy Jr. e sua trupe de defensores de psicodélicos para veteranos de guerra.

O pessimismo perdeu força em 2025. O Senado dos EUA debate uma iniciativa suprapartidária para facilitar psicodélicos a ex-combatentes. A Casa Branca destinou US$ 100 milhões (mais de meio bilhão de reais) para pesquisas com tratamentos inovadores de saúde mental, alteradores de consciência incluídos.

De 2023 a 2025, empresas investiram US$ 2 bilhões (R$ 11,2 bilhões) no setor, segundo Josh Hardman, do boletim Psychedelic Alpha. Houve um salto recente, com pico de US$ 500 milhões nos últimos meses do ano.

Maior parte foi para psilocibina, 5-MeO-DMT, cetamina e MDMA, para transtornos como depressão, ansiedade e TEPT. Hardman considera provável alguma autorização para tratamento antes da eleição de meio de mandato, em novembro.

Uma possibilidade é a reconsideração, pela FDA, da solicitação fracassada da empresa Lykos (rebatizada Resilient Pharmaceuticals) para MDMA. Outra envolve psilocibina para depressão, que tem dois estudos de fase 3, um da empresa Compass Pathways e outro do Instituto Usona.

Há preocupação com uma eventual vitória da Compass. Isso porque se prevê que ela usaria patentes sobre sua formulação de psilocibina COMP360 para infernizar concorrentes como Usona, que não tem fins lucrativos.

Propriedade intelectual sobre substâncias de uso tradicional, abandono da abordagem psicoterápica associada com psicodélicos e desenvolvimento de neuroplastógenos (parapsicodélicos, como prefiro) seguirão debates quentes em 2026. Não se descarta reação de pânico conservador contra psicodélicos, dado que o uso não autorizado vem crescendo, sobretudo entre jovens de 19 a 30 anos.

Em 2025, Alemanha e República Tcheca se juntaram a Austrália, Canadá e Suíça em autorizações especiais para prescrição de psilocibina e MDMA. No entanto, burocracia e custo limitam acesso a algumas centenas de pacientes.

Algo similar se observa nos serviços de facilitação de uso adulto legalizados no pioneiro estado de Oregon; apesar dos preços salgados, 2025 deve fechar com 37 mil sessões realizadas. Após o Colorado (2024), neste ano o Novo México votou legislação estadual liberalizante.

No Brasil, o avanço mais notável se deu no campo minado da resistência de povos indígenas e de terreiro à apropriação da ayahuasca e da jurema-preta pela ciência acadêmica. Dois encontros sobre o tema foram realizados, em janeiro e maio.

Criticam-se as possíveis patentes sobre a dimetiltriptamina (DMT) presente nessas beberagens de uso tradicional, a falta de reconhecimento, consulta e repartição de benefícios e abusos que possam comprometer a liberdade de uso ritual, hoje legalizado só nas igrejas ayahuasqueiras.

O Brasil reúne condições únicas para avançar com esses tratamentos inovadores em saúde mental. Mas, para isso, seria decisivo reunir os povos da floresta, da caatinga, de terreiro e da universidade para ampliar o acesso à alternativa terapêutica, sem pretensão de manter controle ou hegemonia sobre ela.


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