Principal revelação do vôlei brasileiro nos últimos anos, o ponteiro Darlan Souza, 23, está tendo sua primeira experiência atuando em uma liga estrangeira.
Após uma passagem bem-sucedida de seis anos pelo Sesi Bauru, em que conquistou o título da Copa Libertadores (2020) e da Superliga (2023/24), o atleta carioca foi contratado em junho do ano passado pela equipe italiana Rana Verona.
A estreia na tradicional liga do país europeu foi com o pé direito, no fim de outubro, quando Darlan anotou 15 pontos e ajudou seu time a vencer a primeira partida da temporada 2025/26 contra o Bluenergy Piacenza, do companheiro de seleção Lukas Bergmann.
Após 19 partidas, o Rana Verona é o atual vice-líder da competição, com 45 pontos, cinco atrás do Scai Perugia, campeão na temporada 2023/24.
Darlan é o segundo maior pontuador da equipe, com 244 pontos, atrás apenas do malinês Noumory Keita, que soma 295. O brasileiro também é o quarto melhor sacador da liga, com 40 aces até aqui.
Ele atribui à recepção carinhosa dos companheiros de time o início positivo que vem experimentando na Itália.
“Eu cheguei ao Rana Verona com o objetivo de aprender em todos os sentidos, afinal tudo era novo na minha primeira experiência em um clube fora do Brasil. No início, eu não sabia o que esperar, mas fui recebido de uma maneira em que me senti parte de uma verdadeira família”, afirmou o ponteiro à Folha.
“Ficou realmente fácil me adaptar em tão pouco tempo. O acolhimento dos atletas, dirigentes, patrocinadores e torcedores fez toda a diferença. Agora, eu já estou bem à vontade e me sentindo muito grato por tudo o que estou vivendo”, acrescentou.
Darlan disse que sentia a necessidade de se desafiar no que classifica como o “campeonato mais forte do mundo” para se tornar um jogador “mais constante”, com menos oscilações dentro de quadra no decorrer das partidas.
Ele assinalou que está tendo a oportunidade de evoluir seu jogo atuando ao lado do levantador da seleção dos Estados Unidos, Christenson Micah, “um gênio”.
“Aqui, os treinos são mais intensos. Destaco em especial o saque, que é bem mais efetivo do que no Brasil.”
O ponteiro natural do Rio de Janeiro disse ainda que, no tempo livre fora das quadras, está buscando aproveitar ao máximo a vida na pequena e histórica cidade de Verona, no nordeste italiano, com cerca de 250 mil habitantes.
“A cidade é muito gostosa de se viver. A comida, não tenho nem o que falar. Eles aqui são referência em gastronomia. Mas o mais incrível são as pessoas. Eu me sinto muito conectado e respeitado por todos.”
O bom momento no clube contrasta com a fase atravessada junto com a seleção brasileira.
Em 2025, a equipe treinada por Bernardinho chegou a ter um início promissor na VNL (Liga das Nações), com 11 vitórias em 12 partidas na fase preliminar e triunfo contra a China nas quartas de final. A equipe acabou eliminada pela Polônia nas semifinais, vencendo a Eslovênia na disputa pelo bronze.
O maior revés, porém, viria no Campeonato Mundial, nas Filipinas. Uma derrota por 3 sets a 0 para a Sérvia, além de um set perdido em vitória sobre a China, sacramentaram a primeira eliminação da seleção ainda na fase de grupos em 55 anos.
Apesar do ano sem títulos e da queda precoce no Mundial, Darlan disse considerar que o saldo, de forma geral, foi positivo. “Na Liga das Nações, fizemos 15 jogos e só tivemos duas derrotas, com a melhor campanha da primeira fase. No Mundial, foram três jogos e duas vitórias. Infelizmente, não nos classificamos, mas se você for olhar, jogamos 18 vezes em 2025 e perdemos três jogos.”
Embora já seja hoje um dos rostos mais conhecidos da nova geração do vôlei brasileiro, Darlan reconheceu que ainda está procurando se acostumar com o papel de ídolo do esporte.
“Ainda não tenho o currículo daqueles que foram ídolos de gerações anteriores. Ainda estou buscando meu lugar ao sol. Vivemos um processo de renovação e tenho muita estrada para percorrer. Mas é claro que o carinho dos torcedores é uma coisa que me deixa muito feliz. Sei que muitos se identificam comigo.”
Darlan disse que a torcida brasileira também pode continuar esperando pelo gesto característico conhecido como “jutsu”, inspirado no mangá de grande sucesso Naruto, antes dos saques ou na comemoração de pontos importantes. “É um ritual de concentração que eu gosto muito e me ajuda a me conectar comigo mesmo, em busca do meu melhor.”