Categoria: Noticias

Morre o trombonista Zé da Velha, ícone do choro, aos 84 – 26/12/2025 – Ilustrada

“`html

Morre o trombonista Zé da Velha, ícone do choro, aos 84 anos

Morreu nesta sexta-feira (26) o trombonista José Alberto Rodrigues Matos, o Zé da Velha, considerado um dos maiores nomes do choro do país, aos 84 anos. A informação foi confirmada à Folha pelo amigo e colaborador Silvério Pontes.

Últimos Dias e Internação

Segundo Silvério, o músico estava com a saúde deteriorada após sofrer uma queda na calçada de casa e passar por uma cirurgia na bacia. Ele estava internado e não resistiu a uma infecção bacteriana.

O velório está marcado para as 10h15 de sábado (27), com o sepultamento às 12h15, no Cemitério de Inhaúma, zona norte do Rio de Janeiro.

Trajetória Musical

Aos 18 anos, Zé da Velha integrou o grupo regional de Pixinguinha. Os dois se tornaram muito amigos por morarem próximos na zona norte do Rio. Pilar da música nacional, Pixinguinha influenciou diretamente Zé da Velha na forma de executar o trombone, tornando-o um discípulo do grande mestre.

O trombonista também tocou com outras referências do choro, incluindo Jacob do Bandolim, Benedito Lacerda, Waldir Azevedo, Altamiro Carrilho e Dino Sete Cordas.

Contribuições ao Choro

Ele fazia parte da geração do choro que desenvolveu e revolucionou o gênero no século passado. Sua forma de tocar trombone, dando dimensão ao instrumento no choro, o fez tornar-se uma referência. Zé da Velha fazia contracantos com o seu trombone —isto é, complementações à melodia original, valorizando a música com estilo e linguagem muito própria.

Início de Vida e Formação Musical

Nascido em Aracaju, em 1º de junho de 1941 —embora sua certidão apareça como nascido em 4 de abril de 1942—, aos oito anos se mudou com a família para o Rio de Janeiro. Desenvolveu-se no trombone inicialmente com o pai, um alfaiate e músico amador de instrumentos de sopro, e depois numa pequena orquestra. Também fez aula a partir dos 16 anos com diversos professores de música.

Grupo Velha Guarda e Apelido

Ele integrou no final dos anos 1950 o grupo Velha Guarda, liderado por Alcebíades Barcelos, o Bide, figura histórica do samba. Foi Bide quem apresentou Zé da Velha a Pixinguinha. O conjunto contava com figuras como João da Baiana. Foi dessa relação com o grupo Velha Guarda que ganhou o apelido de Zé da Velha, aos 18 anos.

Na época, ele tinha um emprego na companhia aérea Cruzeiro do Sul e também na Varig. Depois, trabalhou na Alitalia, vindo a se aposentar pela empresa aérea italiana.

Colaborações e Gravações

Em 1965, conheceu Jacob do Bandolim, outra lenda do choro, e passaram a tocar juntos. Na década de 1970, chegou a integrar alguns conjuntos musicais, como o Sambalândia, além de ser chamado para fazer gravações em discos, como o clássico “Chorando pelos Dedos” (1976), de Joel Nascimento. Formou em 1977 o grupo de choro Chapéu de Palha.

Em 1978, gravou outra pérola do choro, o álbum “Chorando Baixinho: um Encontro Histórico”, lançado no ano seguinte, com ele, Abel Ferreira (clarinete), Copinha (flauta), Joel Nascimento (bandolim), Dino Sete Cordas, César Faria e Carlinhos Leite (violões), Jonas (cavaquinho), Jorginho do Pandeiro e Arthur Moreira Lima (piano).

Parcerias Notáveis

Zé da Velha também foi muito próximo do maestro, clarinetista e saxofonista Paulo Moura, incluindo tocando em diferentes álbuns do músico. O disco “Choro na Praça” (1977), com participação de ambos e mais Waldir Azevedo, Abel Ferreira, Copinha e Joel Nascimento, gravado ao vivo no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, é considerado outro registro antológico da música brasileira com a participação de Zé da Velha.

Legado Musical

Em 1986, conheceu o trompetista Silvério Pontes. Anos depois, a dupla lançaria seis álbuns: “Só Gafieira” (1995), “Tudo Dança” (1998), “Ele & Eu” (2000), “Samba Instrumental” (2003), “Só Pixinguinha” (2006) e “Ouro e Prata” (2012).

Os álbuns com Zé da Velha no trombone e de Silvério Pontes no trompete são considerados registros importantes da música brasileira com instrumentos de sopro no aspecto estilístico, de interpretação e de improviso. O êxito do trabalho fez com que fossem chamados de “Menor Big Band do Mundo”.

Reconhecimento e Últimos Anos

“Zé da Velha foi o elo da velha guarda com a música atual. Ele tem uma particularidade de tocar, servindo. Ele toca para a música. Um mestre”, disse Silvério Pontes à Folha.

Zé da Velha havia se afastado dos palcos há 7 anos. Durante a pandemia, teve uma queda que o levou a fazer uma cirurgia na bacia, comprometendo sua mobilidade. Passou também a sofrer de disfagia. Com internações frequentes, chegou a ter entre junho e julho de 2025 duas pneumonias.

Vida Pessoal

Viveu a vida toda no bairro de Olaria, no Rio de Janeiro. O trombonista teve três filhos —Denise, Deise e Eduardo— com Dona Lurdes, falecida há mais de uma década.

Conclusão

A morte de Zé da Velha representa uma perda significativa para a música brasileira, especialmente para o gênero do choro, que ele ajudou a moldar e popularizar. Seu legado musical e suas colaborações com grandes nomes da música continuam a inspirar novas gerações de músicos. Para saber mais sobre a influência de Zé da Velha e outros ícones do choro, confira a nossa matéria completa.



Source link
“`

Samoel A Souza

Posts Recentes

'Fauna, Flora e Folia' leva grandes nomes para o carnaval em Piraí; confira a programação

Grandes nomes da música brasileira vão se apresentar na festa de carnaval 'Fauna, Flora e…

4 minutos atrás

Ancelotti considera convocar Endrick para Seleção Brasileira

Endrick tem início avassalador pelo Lyon, com cinco gols, uma assistências e em cinco jogos…

34 minutos atrás

Desastres climáticos custaram R$ 28 bilhões em 2025 – 05/02/2026 – Ambiente

Os desastres climáticos que atingiram o Brasil em 2025 causaram prejuízos de US$ 5,4 bilhões,…

1 hora atrás

Denúncias de consignado não contratado no INSS crescem 113% em 2025

Empréstimos que estão sendo cobrados, mas nunca foram solicitados, representam 25,7% do total de reclamações…

2 horas atrás

Brasileiro dono de café nos EUA é detido pelo ICE

Maximiano Fernandes, de 40 anos, é pai de quatros filhas e dono de um café…

2 horas atrás

Adolescente é apreendido suspeito de 2 mortes na Grande BH – 05/02/2026 – Cotidiano

Duas mulheres, uma de 56 anos e outra de 16, morreram na última quarta-feira (4)…

3 horas atrás