Mercosul Criará Comissão para Combate ao Crime Organizado – 20/12/2025
O Mercosul aprovou, em Foz do Iguaçu (PR), a criação de uma comissão responsável pela coordenação de estratégias para fortalecer o combate ao crime organizado nos países do bloco. Essa iniciativa surge em um momento crítico, onde o avanço de facções criminosas na região tem gerado preocupação entre os líderes dos países membros.
Contexto da Criação da Comissão
O plano de criação da comissão é uma resposta ao aumento da atividade criminosa, especialmente em áreas de fronteira, e à pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos, que sob a liderança de Donald Trump, intensificou suas ações contra o narcotráfico na Venezuela. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reunirá com os líderes de Argentina, Javier Milei, Paraguai, Santiago Peña, e Uruguai, Yamandú Orsi, para discutir essa importante questão na cúpula do Mercosul.
Objetivos da Comissão
A comissão terá como objetivo principal coordenar uma estratégia comum de combate ao crime organizado, envolvendo diferentes órgãos governamentais, como o Ministério da Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal. A criação dessa comissão foi decidida durante uma reunião do Grupo Mercado Comum, que ocorreu às vésperas da cúpula.
Cooperação Internacional
Além de fortalecer as ações internas, a comissão também buscará estabelecer acordos de cooperação com outros países e organismos internacionais. O combate ao tráfico de pessoas e ao narcotráfico será uma das prioridades, considerando a crescente complexidade dessas atividades criminosas, que muitas vezes transcendem fronteiras nacionais.
Desafios e Oportunidades
A atuação das facções criminosas em áreas de fronteira já havia sido discutida em reuniões anteriores, e a criação da comissão é vista como uma oportunidade para unir esforços e recursos na luta contra o crime organizado. O governo Lula tem enfatizado a necessidade de uma abordagem integrada e colaborativa, especialmente em um contexto onde a segurança pública é uma das principais preocupações da população brasileira.
Mobilização Militar e Pressão Internacional
O tema do crime organizado tem ganhado destaque na agenda do governo, especialmente diante da mobilização militar dos EUA na costa venezuelana, que visa combater cartéis envolvidos no tráfico de drogas. No início de dezembro, Lula conversou com Trump, defendendo uma cooperação no combate ao crime organizado internacional, o que demonstra a relevância do tema não apenas para o Brasil, mas para toda a região.
A Situação na Bolívia
Autoridades brasileiras têm apontado que a Bolívia se tornou um refúgio para grandes narcotraficantes da América do Sul. O PCC (Primeiro Comando da Capital) tem buscado expandir suas operações na região, consolidando sua presença e exercendo domínio territorial. A Bolívia é considerada estratégica por ser o principal ponto de entrada da pasta-base de cocaína produzida no Peru.
Impacto na Segurança Pública Brasileira
A discussão sobre o crime organizado no Mercosul também está alinhada com a agenda doméstica do governo Lula. Levantamentos recentes mostram que 16% da população brasileira considera a segurança pública como o principal problema do país, evidenciando a urgência de ações efetivas nesse campo. Em 2026, o Congresso Nacional deverá votar a PEC da Segurança e o PL Antifacção, que visam fortalecer as políticas de segurança no Brasil.
Conclusão
A criação da comissão do Mercosul para o combate ao crime organizado representa um passo significativo na luta contra a criminalidade transnacional. A colaboração entre os países membros é essencial para enfrentar os desafios impostos pelas facções criminosas, que operam em um cenário cada vez mais complexo e interconectado. A expectativa é que essa iniciativa não apenas fortaleça a segurança na região, mas também promova uma maior integração entre os países do Mercosul.