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Foi pioneiro no jornalismo ambiental – 03/01/2026 – Cotidiano


Pai de oito filhos, Anthony de Christo sempre prezou pela união da família. Não era o tipo de pessoa que jogava bola com eles, mas gostava de conversas longas e de fazer piadas.

Nascido no Rio de Janeiro, formou-se em engenharia química, mas se dedicou ao jornalismo.

A mudança de carreira começou ainda na faculdade, quando escreveu seus primeiros textos para folhetos do centro acadêmico.

Nos anos 1960, quando a editora Abril passou a selecionar profissionais pelo país para formar a primeira equipe da revista Veja, ele se mudou para São Paulo.

Anthony fez parte de uma geração que ajudou a moldar o jornalismo brasileiro em meio à ditadura. Trabalhou na Gazeta Mercantil e na TV Cultura e se tornou um dos pioneiros na cobertura ambiental no país.

Durante o regime militar, foi preso e torturado. Em 1975, integrou o grupo de quatro jornalistas liberados pelo DOI-Codi para acompanhar o enterro de Vladimir Herzog (1937-1975), morto sob tortura. A presença do quarteto no funeral se tornaria um dos gestos simbólicos mais importantes da resistência civil à ditadura.

Após deixar as Redações, atuou como assessor de imprensa da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e da Secretaria do Meio Ambiente.

Acompanhou de perto operações de controle da poluição, ações de reflorestamento na Serra do Mar e tragédias ambientais, como o incêndio da Vila Socó, em Cubatão, nos anos 1980.

A mulher, Su Kuei Yun Christo, lembra que era comum que Anthony voltasse coberto de terra depois de ir a campo para trabalhar —algo que nunca o incomodou. “Para quem foi um preso político torturado, sobreviver e depois trabalhar com tudo isso é admirável”, diz ela.

Dentro de casa, era descrito como um homem calmo, dado a conversas longas sobre política, democracia e sobre o futuro do país. Evitava falar com os filhos sobre a tortura que sofreu, mas fazia questão de transmitir a eles a importância da liberdade de imprensa.

“Ele acordava e ficava ali admirando a natureza, conversando com os passarinhos. Tenho isso muito marcado na memória desde pequeno”, diz o filho Fernando Christo.

Além de observar pássaros, Anthony gostava de trabalhar com ferramentas e de construir brinquedos de madeira para os netos. Entre os lugares preferidos para passar temporadas estava Cunha, cidade no interior de São Paulo, onde a família costumava alugar uma casa.

Leitor voraz, mantinha uma grande coleção de livros, com especial apreço por Jorge Amado (1912-2001).

Anthony de Christo morreu no dia 11 de novembro, aos 82 anos, em São Paulo, em decorrência de uma infecção generalizada. Deixa 8 filhos, 12 netos e a esposa, Su, com quem viveu por mais de quatro décadas.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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Samoel A Souza

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