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Família dona do Ibrachina já foi acusada de comandar pirataria em SP


A máfia da pirataria no Município de São Paulo é comandada pela Família Law Kin Chong. Esse fato é publico e notório.” A conclusão faz parte do relatório final da CPI da Pirataria da Câmara Municipal de São Paulo, que durante um ano e meio se dedicou — sem sucesso — a tentar ouvir a família dona do time sensação da Copinha 2026, o Ibrachina.

O clube da Mooca, na zona leste de São Paulo, foi fundado em setembro de 2020, em plena pandemia, aproveitando que diversos times ainda tinham restrição de treinamento para atrair jovens destaques de clubes da capital. Em 2022, já disputava a Copinha em seu estádio — um campo sintético com uma arquibancada modesta.

Na mesma época, a CPI da Pirataria se desdobrava para conseguir ouvir Henrique Law, Thomas Law (os dois donos do Ibrachina e apontados como proprietários do Shopping Pari), e principalmente os pais deles: Law Kin Chong e Hwu Su Chiu Law, conhecida como Miriam. O casal seria proprietário de outros 27 “shoppings” onde a pirataria corre solta, sendo o mais famoso o “Shopping 25”, de acordo com o relatório da CPI.

O casal fez de tudo para não ser ouvido na CPI. Chegou a ir de surpresa à Câmara Municipal, em dia em nenhum dos dois estava convidado para participar da comissão. Os advogados informaram que eles estavam cumprindo a convocação, mas permaneceriam calados. Logo foram embora. Depois, Law e Miriam chegaram ser levados coercitivamente à CPI, mas permaneceram em silêncio. Henrique e Thomas, os donos do Ibrachina, chegaram a ser convidados, mas nunca compareceram diante dos vereadores.

Os irmãos — cada um dono de 50% do clube de futebol — tentam se distanciar dos negócios dos pais, conseguindo espaço relevante como porta-vozes do empresariado chinês no país, conseguindo abrir portas junto aos governos municipal, estadual e federal.

O advogado Thomas Law, mais proeminente dos dois irmãos, é conselheiro da OAB-SP, presidente da Coordenação Nacional das Relações Brasil-China da OAB Nacional e de uma ONG também denominada Ibrachina e comanda entidades como o Centro de Estudos de Direito Econômico e Social. Em agosto do ano passado, ele foi homenageado com a Medalha Anchieta, concedida a paulistanos que se destacam por ações ou trabalhados prestados em prol da sociedade. É Henrique, contudo, que assina como presidente do Ibrachina FC.

Em nota à coluna, os proprietários do clube se posicionaram: “O Ibrachina FC esclarece que sua gestão é profissional, autônoma e independente. As referências a fatos pretéritos e a CPIs dizem respeito a contextos totalmente alheios ao clube e, à época, não resultaram em indiciamento, condenação ou qualquer responsabilização, tendo sido encerradas sem sanções”.

“O Ibrachina FC integra um projeto de base vinculado ao Instituto Sociocultural Brasil–China (Ibrachina), com forte compromisso social e educacional. O objetivo é oferecer aos jovens uma jornada completa de desenvolvimento, que inclui acompanhamento esportivo, médico e educacional. O Ibrachina FC segue plenamente focado em sua missão esportiva e social, reafirmando seu compromisso ético com a formação de jovens e com a transparência institucional, permanecendo à disposição para quaisquer esclarecimentos formais”, disse o clube.

Quem é a família Law

De acordo com o relatório final da CPI da Câmara Municipal de São Paulo, publicado em 2023, o casal Law detinha imóveis utilizados como armazéns, estacionamentos, prédios, shoppings, galerias, entidades e salas comerciais nas imediações da capital de São Paulo localizados no Brás, Pari, Mooca, Liberdade, Jardins, Morumbi, Avenida Paulista entre outros. O relatório final foi enviado ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), que arquivou o caso.

Aos 61 anos, Law Kin Chong é dono de galerias na Rua 25 de Março, no centro de São Paulo, o que lhe conferiu o apelido de “Rei da 25 de Março”. Parte de suas empresas responsáveis por esses imóveis, nas últimas décadas, passou para o nome de sua esposa, conhecida como Miriam Law.

Somente em shoppings administrados pela Maxim, uma das empresas da família, entre 2012 e 2019, fiscalizações da Receita Federal já apreenderam mais de R$ 600 milhões em mercadorias ilegais. Em uma representação contra a empresa e a mulher de Law, agentes afirmaram que, nos shoppings do empresário, vendem-se produtos de alto luxo por valores ínfimos, como R$ 500.

Segundo a Receita, a fórmula para o grupo de Law fugir da responsabilidade pelo material apreendido é alegar ser apenas dona dos prédios e sublocá-los aos comerciantes que ficam em seus boxes. Acontece que agentes do fisco afirmam ter encontrado uma verdadeira “cadeia de falsidade” nos contratos de aluguel, recheados de papéis não reconhecidos por cartórios e assinaturas divergentes de uma mesma pessoa.

Havia até microempreendedor individual responsável pelo aluguel de oito boxes, por R$ 500 mil anuais. Em alguns empreendimentos de Law, mais de 50% dos responsáveis eram chineses e 80% deles vinham de duas cidades específicas do país. Boa parte não tinha sequer registro legal no Brasil.

Na década de 2000, Law foi preso duas vezes por suspeita de contrabando. Em uma das ocasiões, chegou a passar quatro meses no presídio de Tremembé, no interior de São Paulo, conhecido por abrigar presos famosos e de casos emblemáticos.

Foi outra CPI, no início dos anos 2000, que levou à trama que deu ensejo à condenação criminal de Law Kin Chong a seis anos de prisão na Justiça Federal – contra a qual ele apela até hoje. Segundo a acusação, um intermediário do empresário entrou em contato com um deputado federal para negociar propina em troca de um “alívio” no relatório final das investigações sobre pirataria.

O deputado armou um flagrante com um policial, o que levou à prisão do empresário e de um suposto intermediário da negociação que estava com US$ 75 mil em dinheiro vivo, que seriam parte da suposta propina. A proposta indecente era que sua mulher, Miriam, a mesma que é dona do shopping 25, não fosse alvo de uma devassa da Receita Federal à época, em meio à CPI.

Gravado, Law chegou a acertar valores com o parlamentar: “Uma sugestão, porque eu não acho ali na esquina. Eu queria fazer assim. Um agora e mais 30, 60, 90 e 120, pode ser?”. Ele foi condenado inicialmente a quatro anos de prisão e, depois, a seis anos em regime inicial fechado. Neste momento, tem recorrido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter a sentença.



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Samoel A Souza

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