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De saída da Brava, CEO é cético sobre petróleo venezuelano – 12/01/2026 – Painel S.A.


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O engenheiro Décio Oddone deixará a Brava Energia (companhia fruto da fusão entre as petroleiras 3R Petroleum e Enauta) no fim deste mês e, por enquanto, deve se dedicar a passar mais tempo com a família antes de retornar ao mercado.

Em conversa com o Painel S.A., além de falar da sua saída da empresa, ele também analisou a retomada da produção de petróleo na Venezuela após a invasão dos Estados Unidos ao país. No curto prazo, ele é cético sobre a capacidade do país de injetar petróleo no mercado global.

Além de presidir a Brava e a Enauta, Oddone também já ocupou cargos na Petrobras, onde foi responsável pelos negócios da estatal na América Latina, que incluíam campos na Venezuela. Ele tem, portanto, conhecimento de perto das capacidades produtivas do país.

À coluna, o engenheiro disse que, em um primeiro momento, os investimentos de companhias americanas no setor petroleiro venezuelano deve trazer um leve aumento imediato na produção, mas que não será suficiente para mexer com os preços dos contratos de barris de petróleo.

Hoje o país produz menos de 1 milhão de barris por dia. Para voltar à produção de 1970 a 1990, quando o mercado de petróleo do país chegou ao seu pico, de 3 milhões de barris por dia, Oddone acredita que levará tempo e, mesmo com essa retomada, ainda não será suficiente para uma estabilidade na produção, já que a demanda aumentou muito em relação àquela época.

“O país precisaria de dois ‘pré-sais’ por ano para manter uma produção estável de petróleo na Venezuela hoje em dia”, disse Oddone.

Segundo o executivo, é mais política do que técnica a conversa de que a Venezuela tem as maiores reservas do mundo de petróleo, já que o tipo de óleo pesado que o país tem é diferente do convencional.

Para o futuro, porém, o engenheiro acredita que as reservas venezuelanas serão estratégicas diante das previsões de declínio da produção de petróleo no Brasil a partir de 2030. Ele afirma que os royalties elevados tornarão o custo de produção aqui proibitivo, levando a uma queda importante no país.

Saída da Brava

Sobre a Brava Energia, Oddone disse que o anúncio de sua renúncia não foi uma surpresa, porque já tinha sido acertada internamente, após a fusão. Na época da transação, finalizada em agosto de 2024, o executivo comandava a Enauta e ele permaneceu no posto após a conclusão do negócio com a 3R.

Segundo o engenheiro, ele seguiu na presidência da petroleira para um período de transição em que ele entregou projetos importantes para a empresa, como o desenvolvimento de um sistema de produção em águas profundas no Campo de Atlanta, localizado na Bacia de Santos. Foi a primeira vez que uma empresa independente de petróleo e gás brasileira realizou um projeto desse tipo desde a fase inicial.

Ele também coordenou a modernização da extração de petróleo em campos onshore (em terra) da Brava e o aumento de produção no Campo de Papa-Terra, que a 3R adquiriu da Petrobras em 2022.

Embora o mercado reconheça o trabalho de Oddone, a troca de presidentes foi vista como positiva. As ações da Brava subiam mais de 3% perto das 15h.

Segundo relatório do Santander, a nomeação de Richard Kovacs para o lugar de Oddone reforçou uma estrutura de governança mais clara e alinhada aos acionistas, já que Kovacs atualmente é CEO da Ebrasil, que detém 7% das ações da Brava. Além disso, o novo presidente do conselho de administração, Alexandre Cruz, é CEO da Jive, que possui outros 7% da petroleira.

Segundo o Santander, a troca de presidentes marca o encerramento “de um ciclo relevante com a saída de Décio Oddone, que deixa um legado operacional sólido, especialmente nos ativos Atlanta e Papa-Terra.”


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