O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta terça-feira (10) que escapou de uma tentativa de assassinato enquanto estava voando de helicóptero, após meses de alertas sobre um suposto complô de narcotraficantes para matá-lo.
O líder de esquerda declarou que, na noite de segunda, não conseguiu pousar no departamento de Córdoba, na costa caribenha do país, porque temia que a aeronave em que viajava “fosse alvejada”.
“Voamos sobre mar aberto por quatro horas e acabei onde não deveríamos estar”, disse Petro, “escapando por pouco de ser morto”. Ele fez essas declarações durante uma reunião com seus ministros, transmitida ao vivo.
Sua declaração surge em meio a uma onda de violência que tem abalado a campanha eleitoral a três meses das eleições presidenciais, nas quais ele não pode concorrer à reeleição. Petro afirma que um “novo cartel de drogas” planeja assassiná-lo desde que assumiu o cargo em agosto de 2022.
Essa suposta conspiração envolve narcotraficantes que vivem no exterior e guerrilheiros como Iván Mordisco, o criminoso mais procurado do país e líder da maior facção dissidente das Farc, signatária do acordo de paz de 2016.
O Clã do Golfo, o maior cartel do país, opera em Córdoba. Na semana passada, decidiu suspender as negociações de paz depois que Petro concordou com o presidente dos EUA, Donald Trump, em iniciar uma caçada ao seu líder, conhecido como Chiquito Malo.
A Colômbia tem uma longa lista de líderes de esquerda assassinados, incluindo candidatos à Presidência, devido a alianças entre narcotraficantes, grupos paramilitares e agentes do Estado.
Petro, o primeiro presidente de esquerda do país, já havia denunciado outra suposta tentativa de assassinato contra ele em 2024, que o impediu de participar de um desfile militar em 20 de julho daquele ano. Durante sua campanha, ele apareceu em espaços públicos com forte esquema de segurança; seus guarda-costas chegaram a portar escudos blindados para proteção. O então senador da oposição afirmou que um traficante de drogas da região cafeeira do país queria matá-lo.
Ainda nesta terça, segundo Petro, a senadora indígena Aida Quilcué foi sequestrada em uma área controlada por guerrilheiros no sudoeste do país. A política de 53 anos foi capturada em sua região natal, Cauca, uma área de cultivo de coca assolada por conflitos e controlada por dissidentes das Farc que romperam o acordo de paz de 2016.
O povo indígena Nasa, ao qual Quilcué pertence, está sob grave ameaça de grupos armados ilegais. “Se não a libertarem, será um grito de guerra contra todos os povos indígenas de Cauca e do país”, disse Petro. “Espero que se resolva rapidamente”, acrescentou, “porque, caso contrário, terão cruzado uma linha vermelha”. A senadora foi “interceptada às 13h, horário local”.
Quilcué viajava em uma caminhonete com seus dois guarda-costas, disse sua filha, Alejandra Legarda, à rádio Caracol. “A Guarda Indígena informou que chegou ao local e encontrou a caminhonete em que a senadora viajava, mas não havia ninguém dentro. As buscas continuam”, declarou o Ministro da Defesa, Pedro Sánchez.
Quilcué pertence ao Pacto Histórico, partido governista que elegeu Petro em 2022. Durante a campanha eleitoral, em outubro daquele ano, a política denunciou um ataque sofrido enquanto concorria ao Senado.
Frequentemente adornada com lenços e faixas de cabeça vermelhas e verdes, cores características do povo Nasa, Quilcué é uma reconhecida líder social. Ela defende os direitos dos povos indígenas, a autonomia territorial e o patrimônio cultural.
Em 2021, ela recebeu o Prêmio Nacional de Defensores dos Direitos Humanos na Colômbia, um dos países mais violentos do mundo para defensores dos direitos humanos e do ambiente.
Centenas de municípios na Colômbia correm o risco de sofrer violência eleitoral e pressão de grupos armados que buscam influenciar as eleições legislativas e presidenciais de 2026, alertam organizações como a Missão de Observação Eleitoral (MOE).
Na última semana, um ataque teve como alvo a comitiva de um senador em Arauca, região fronteiriça com a Venezuela. O senador não estava no veículo, mas dois de seus guarda-costas foram mortos.
Seis soldados foram condenados pelo assassinato, em 2008, do marido de Quilcué, Edwin Legarda, um líder social, na mesma rodovia onde a senadora foi sequestrada.
O alerta está em nível máximo a poucos meses das eleições legislativas de 8 de março e das eleições presidenciais de 31 de maio.

