No caso do cachorrinho Orelha, que foi brutalmente assasinado, a indignação pelo sadismo do caso é esperada, mas existe um elefante na sala: por que a gente aceita como “normal” ter animais de rua, abandono e crueldade como parte do cotidiano? E mais: o que o poder público entrega de fato além de reação pontual quando um caso viraliza ou ações pontuais?
No vídeo dessa semana, eu uso o caso como motivação para discutir política pública com evidência e mostro dois exemplos internacionais com avaliação empírica: programas públicos de castração e impactos em dinâmica de abrigos (New Hampshire e Austin) e microchip obrigatório e evidência em autoridade local na Inglaterra.
Existe uma lição importante para aprendermos: sem metas, capacidade operacional, dados e indicadores, a política pública vira improviso e o problema se perpetua.
Referências:
White, S. C., Jefferson, E., & Levy, J. K. (2010). Impact of publicly sponsored neutering programs on animal population dynamics at animal shelters: The New Hampshire and Austin experiences.
Siettou, C. (2019). Evaluating the recently imposed English compulsory dog microchipping policy: Evidence from an English Local Authority. Preventive Veterinary Medicine, 163, 31–36.