Polêmica por suas declarações simpáticas a extrema-direita, Brigitte Bardot se tornou pivô de discussões na França após sua morte, no último sábado. Políticos no país estão divididos sobre como prestar homenagem a atriz.
Bardot foi condenada cinco vezes por discurso de ódio, principalmente contra muçulmanos, mas também contra os habitantes da ilha francesa de Reunião, a quem descreveu como “selvagens”.
O presidente francês, Emmanuel Macron, elogiou a atriz como uma “lenda” do cinema do século 20 que “encarnou uma vida de liberdade”.
Figuras da extrema-direita estiveram entre as primeiras a lamentar sua morte. Marine Le Pen, cujo partido Reagrupamento Nacional (RN) lidera as pesquisas de intenção de voto, a chamou de “incrivelmente francesa: livre, indomável, íntegra”.
Bardot apoiou Le Pen nas eleições presidenciais de 2012 e 2017, e a descreveu como uma “Joana d’Arc” moderna, de quem esperava que pudesse “salvar” a França.
O conservador Eric Ciotti sugeriu um funeral nacional, como o organizado em 2017 para a lenda do rock francês Johnny Hallyday, e criou uma petição online que, nesta segunda-feira, contava com pouco mais de 7.000 assinaturas.
No entanto, poucos políticos de esquerda se pronunciaram sobre a morte de Bardot.
“Brigitte Bardot foi uma figura de destaque, um símbolo de liberdade, rebeldia e paixão”, declarou à rádio Europe 1 o deputado do Partido Socialista Philippe Brun.
“Sua perda nos entristece”, afirmou, acrescentando que não se opunha a uma homenagem nacional. Mesmo assim, mencionou suas opiniões políticas controversas. “Quanto aos seus compromissos políticos, haverá tempo suficiente, nos próximos dias, e semanas, para falar deles”, disse.
O líder do Partido Comunista, Fabien Roussel, qualificou Bardot como uma figura divisiva. Mas “todos concordamos que o cinema francês criou BB e que ela o fez brilhar em todo o mundo”, escreveu no X.
A deputada ecologista Sandrine Rousseau foi mais crítica. “Comover-se com o destino dos golfinhos, mas permanecer indiferente à morte de migrantes no Mediterrâneo… que nível de cinismo é esse?”, ironizou na rede social BlueSky.