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A certidão de óbito do pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior, mais conhecido como Tenório Jr., foi emitida pelo 4º Ofício do Gama, no Distrito Federal. A informação foi confirmada ao Metrópoles nesta terça-feira (23/12) pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).
Segundo a pasta, o documento foi expedido após solicitação da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). Tenório Jr. desapareceu em 18 de março de 1976, após deixar o Hotel Normandie, na região central de Buenos Aires, às vésperas da ditadura militar argentina.
Na ocasião, foi iniciado um processo de identificação, com a coleta das impressões digitais e a realização de autópsia. Mesmo assim, o corpo acabou enterrado como não identificado em 20 de março de 1976.
Também em setembro deste ano, a família do artista recebeu o laudo oficial que aponta a causa da morte. De acordo com o documento, ele foi executado com cinco tiros, sendo um na cabeça, dois no braço esquerdo e três no tronco.
Anos depois, a Procuradoria de Crimes Contra a Humanidade da Argentina abriu investigações sobre processos judiciais iniciados na província de Buenos Aires entre 1975 e 1983. As ações analisam casos de cadáveres encontrados em vias públicas e enterrados sem identificação, com o objetivo de contabilizar vítimas do regime militar.
Na sequência, a Câmara Federal de Recursos Criminais e Correcionais da Capital Federal determinou a comparação das impressões digitais coletadas em 1976 com as de Tenório Jr., arquivadas no Brasil.
A identidade do pianista foi confirmada, e a família foi oficialmente notificada pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e pelo procurador Ivan Marx, conselheiro do colegiado.
Em 2013, a Comissão Nacional da Verdade, no Brasil, iniciou uma investigação para tentar localizar os restos mortais do músico, a pedido da família. Tenório Jr. deixou a esposa, Carmen Cerqueira — grávida de oito meses à época — e outros quatro filhos.
O caso de Tenório Jr. é emblemático não apenas pela sua trágica história, mas também pela luta contínua por justiça e reconhecimento das vítimas da ditadura militar na América Latina. A emissão da certidão de óbito é um passo importante para a família, que finalmente pode ter um encerramento em um capítulo tão doloroso de suas vidas.
Além disso, a história de Tenório Jr. nos lembra da importância de preservar a memória histórica e de lutar contra a impunidade. Organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch, têm trabalhado incansavelmente para garantir que os crimes do passado não sejam esquecidos e que os responsáveis sejam levados à justiça.
Francisco Tenório Cerqueira Júnior não é lembrado apenas como uma vítima da repressão, mas também como um talentoso músico que fez parte de um movimento cultural vibrante. Sua contribuição para a música brasileira e sua colaboração com artistas renomados como Vinícius de Moraes e Toquinho são marcos de sua carreira.
O reconhecimento de sua história é fundamental para que novas gerações entendam o impacto da ditadura militar na cultura e na sociedade brasileira. A música, assim como a arte, tem o poder de unir as pessoas e promover a reflexão sobre o passado, ajudando a construir um futuro mais justo.
A emissão da certidão de óbito de Tenório Jr. é um marco significativo na luta por justiça e reconhecimento das vítimas da ditadura militar na Argentina e no Brasil. Este evento não apenas traz um fechamento para a família do pianista, mas também serve como um lembrete da importância de continuar a busca pela verdade e pela memória histórica.
À medida que a sociedade avança, é crucial que continuemos a honrar aqueles que sofreram injustamente e a trabalhar para que tais atrocidades não se repitam. A música de Tenório Jr. e sua história de vida permanecem como um legado poderoso que inspira a luta por justiça e direitos humanos.
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