O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) atraiu a ira de colegas no governo Lula após ter sido um dos principais articuladores da revogação de um decreto presidencial sobre um programa de concessão de hidrovias na região amazônica.
O projeto enfrenta resistências de comunidades indígenas da região do Tapajós, no Pará, que afirmam que o uso dos rios para escoar produtos, sobretudo agrícolas, coloca em risco seu modo de vida. Nos últimos dias, houve protestos em instalações da Cargill, gigante do agronegócio, em Santarém (PA) e São Paulo.
Nesta segunda-feira (23), Boulos negociou diretamente com o presidente Lula, que está em viagem à Ásia, a revogação do decreto.
O anúncio foi feito em reunião dele e da ministra Sônia Guajajara com indígenas e representantes de movimentos sociais no Palácio do Planalto.
A reação de ministérios afetados foi imediata. Houve queixas da Casa Civil, AGU (Adocacia Geral da União) e ministérios de Portos e Aeroportos e Agricultura.
Prevaleceu, no entanto, o argumento de que a tensão estava crescendo e que poderia haver uma ruptura do governo com uma base social importante, em pleno ano eleitoral.