Dois bares no Bixiga, na região central de São Paulo, foram lacrados na última sexta-feira (30) em uma ação da prefeitura. Segundo a gestão Ricardo Nunes (MDB), as ações fizeram parte de uma operação de fiscalização da pasta de Subprefeituras por causa do alto número de reclamações.
Os bares lacrados foram o Sirigoela, localizado na rua Treze de Maio, e um estabelecimento na rua Conselheiro Carrão.
“Ao todo, 32 estabelecimentos foram fiscalizados, resultando em três autuações, seis apreensões relacionadas ao comércio irregular e dois termos de orientação pela ausência de Termo de Permissão de Uso (TPU) para mesas e cadeiras”, diz, em nota, a gestão Nunes. A operação contou o apoio do Psiu, da subprefeitura da Sé, da Guarda Civil Metropolitana, da CET e das polícias Civil e Militar.
Segundo a prefeitura, o Sirigoela não apresentou licença de funcionamento e foi lacrado. As ações de fiscalização teriam começado em agosto do ano passado, quando o local já havia sido autuado para regularização. “Vale ressaltar que a Subprefeitura recebeu diversas reclamações de moradores e órgãos públicos, principalmente relacionadas a ruídos acima do permitido. Para se regularizar, os donos precisam realizar as adequações no local, tanto estruturais quanto na rede elétrica.”
No início da noite de sexta-feira, a página do Sirigoela no Instagram anunciou que o bar havia sido lacrado horas antes do início da operação. “Já estamos entrando com mandado de segurança para continuar abertos, defendendo nosso direito de existir, de tocar samba e de manter esse espaço que sempre foi seguro, plural e popular.” A operação foi, então, mudada para outro estabelecimento.
Em vídeo publicado no sábado, responsáveis pelo estabelecimento chamaram a ação de ilegal, já que a porta estava fechada quando os agentes chegaram. Disseram também que eles teriam aberto a porta, que não estava trancada, e entrado no local sem autorização, filmando o espaço. Também afirmaram ter apresentado licença de funcionamento, que teria sido desconsiderada pelos agentes no local.
Já o outro estabelecimento, na Conselheiro Carrão, “foi lacrado em razão do descumprimento da ordem de fechamento administrativo, emitida em 06/12/2024. Após a constatação, foi aplicada nova multa e registrado boletim de ocorrência. Para reabrir, os donos precisam regularizar a acústica do local e solicitar novo Auto de Licença de Funcionamento”, diz a prefeitura.
A interdição dos estabelecimentos ocorre em meio a um embate sobre o barulho que envolve moradores, estabelecimentos e a gestão municipal.
Como mostrou reportagem da Folha, a rotina de madrugadas movimentadas no Bixiga se intensificou ao longo do último ano na região da rua Treze de Maio.
Entre julho a setembro de 2025, a prefeitura recebeu 202 reclamações de perturbação do sossego de moradores da Bela Vista, quantidade semelhante ao mesmo período do ano anterior, quando ocorreram 207 registros.
As queixas sobre perturbação do sossego cresceram 40% de 2015 a 2024, saltando de 31,5 mil para 43,9 mil registros, segundo dados oficiais da gestão municipal.
O volume de registros atingido em 2024 é o segundo maior da década analisada, superado por pouco pelos 45,3 mil chamados feitos em 2023, cujo mês de maio marca o encerramento da pandemia.
Nem 2025, foram registrados 36,9 mil chamados de janeiro a setembro, valor que já corresponde a 84% do total dos registros de 2024.