A deputada estadual Renata Souza (PSOL-RJ) acionou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para denunciar duas ameaças de morte e ataques racistas e misóginos que fizeram contra ela neste início de ano. A parlamentar registrou ambos os casos na Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância do Rio de Janeiro).
Nos dois episódios, as intimidações foram feitas via email. A primeira ameaça foi realizada em 11 de janeiro por um homem que se identifica como bolsonarista. Ele chama Renata de “macaca parasita que apoia esses inúteis negros que só têm a função de ser escravizados por mim e por meu povo”. No texto, ele afirmava também que iria invadir até o dia 13 três escolas e, na sequência, iria matá-la.
O outro email foi enviado no domingo (18) e o autor afirma ser membro da Ordem Secreta dos Primadistas, organização que se inspirava nas ações do grupo supremacista branco americano Ku Klux Klan e que atuou no Brasil nos anos 1960.
Ele faz ameaças de estupro, tortura e violência sexual contra a deputada, dizendo que os dias dela de “ativismo esquerdista” estão contados.
No documento encaminhado à CIDH, a deputada ressalta que os casos não são isolados, mas “fazem parte de um longo histórico de ameaças de morte” que ela recebe “enquanto parlamentar, enquanto mulher preta, favelada, democraticamente eleita”.
Ela diz também ter uma “imensa preocupação” com a sua segurança. “A descoberta e responsabilização da autoria dos referidos emails é fundamental para garantir o Estado Democrático de Direito, contudo é necessário que se vá além, que busquemos não permitir que outras e tantas ofensas possam ser proferidas sem qualquer responsabilização”, afirma.
O informe é assinado também pelo Instituto Marielle Franco, pela Justiça Global e pelo Comitê Brasileiro de Defensores de Direitos Humanos, que representa 48 entidades da sociedade civil.
Eles pedem que a CIDH tome providências para que sejam oferecidas medidas protetivas para a deputada, que sejam requeridas informações sobre o caso ao estado brasileiro e que a investigação dos casos seja rápida e imparcial.
A deputada e as organizações também encaminharam o documento para a relatora especial da ONU sobre defensores de direitos humanos, Mary Lawlor.
com IVAN FINOTTI (INTERINO), DIEGO ALEJANDRO, KARINA MATIAS e VICTÓRIA CÓCOLO
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

