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Entenda os ataques de Trump contra o Fed – 12/01/2026 – Economia


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A ofensiva do presidente dos Estados Unidos Donald Trump contra o Fed (Federal Reserve, Banco Central dos EUA) escalou mais uma vez. Neste domingo (12), foi revelado que procuradores federais americanos abriram uma investigação criminal contra o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, sobre a reforma da sede do banco central, em Washington.

O inquérito, conduzido pelo escritório da Procuradoria dos EUA no Distrito de Colúmbia, apura se Powell mentiu ao Congresso sobre o escopo das renovações. Jeanine Pirro —nomeada para dirigir o escritório no ano passado pelo presidente Trump— aprovou a investigação em novembro.

Em dezembro, Trump já havia dito que poderia processar Powell pelo que chamou de “incompetência grave” envolvendo os gastos na obra.

Porém, essa não é a única maneira pela qual Trump tem pressionado o banco. Ele mesmo, funcionários da Casa Branca e seus aliados rotineiramente pedem taxas de juros mais baixas, mesmo que o Fed seja independente.

Desde o seu primeiro mandato Trump critica Powell pela condução da política monetária americana. O presidente republicano defende juros mais baixos, o que tende a favorecer o crescimento da economia e o mercado acionário.

Embora Barack Obama tenha nomeado Powell originalmente como integrante do conselho do Fed, foi Trump quem o indicou para o cargo de presidente, em 2017, durante seu primeiro mandato. Mas a relação azedou pouco depois de Powell assumir o posto, em fevereiro de 2018.

Em 2025, Trump ameaçou destituir Powell e tentou demitir a diretora do Fed Lisa Cook, estabelecendo uma batalha legal contínua sobre a capacidade de um presidente de remover banqueiros centrais.

Ele já chamou Powell de “estúpido”, “imbecil”, “idiota” — e pediu sua renúncia. Analistas e críticos veem nessas ações uma tentativa de Trump de tomar o controle do Fed.

O QUE FAZ O FED?

O Fed é responsável por supervisionar o sistema bancário, conter a inflação e conduzir a política monetária dos EUA —esta última tarefa é feita por meio do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto), composto por 12 membros. O banco tem um duplo mandato definido pelo Congresso para “promover o máximo emprego e a estabilidade de preços”.

O Fed é dirigido por um conselho de sete diretores (ou governors, em inglês). Eles são nomeados pelo presidente da República para mandatos de 14 anos, mas raramente os completam. Os mandatos são escalonados, encerrados a cada dois anos, justamente para dificultar que um único governo substitua todo o colegiado de uma vez.

Hoje, os aliados de Trump não controlam o conselho. Mas isso pode mudar até maio, quando termina o mandato de Powell na presidência —ou até antes. Dos sete diretores, três —Michelle Bowman, Christopher Waller e Stephen Miran— são indicados por Trump.

Miran assumiu o cargo em setembro, após a renúncia inesperada de Adriana Kugler, indicada por Joe Biden. Trump ainda tenta substituir Lisa Cook, também indicada por Biden, acusada por um aliado do presidente de ter cometido fraude hipotecária, o que ela nega.

MEMBROS DA DIRETORIA DO FED:

  • Jerome Powell, presidente (indicado ao Fed por Obama e à presidência por Trump)
  • Philip Jefferson, vice-presidente (indicado por Biden)
  • Michelle Bowman, vice-presidente de supervisão (indicada por Trump)
  • Michael Barr (indicado por Biden)
  • Lisa Cook (indicada por Biden)
  • Stephen Miran (indicada por Trump)
  • Christopher Waller (indicado por Trump)

Na última reunião de política monetária do órgão, em dezembro, houve dissonância entre os membros quanto à redução dos juros americanos.

Powell conseguiu aprovar o corte de 0,25 ponto percentual, com a taxa indo para 3,5% a 3,75%, apesar da objeção de três votantes. Além disso, um grupo muito maior de presidentes de bancos regionais do Fed que participaram do debate, mas não estavam entre as pessoas com direito a voto, também sinalizaram que eram contra o corte.

As outras duas reduções (em setembro e outubro) também foram de 0,25 ponto percentual, contrariando pedido do presidente dos EUA, Donald Trump, que defende uma queda brusca nos juros para 1,5%.

No entanto, a inflação dos EUA está acima deste patamar. A expectativa é que o CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) tenha subido 2,7% em 2025. O objetivo do Fed é trazer a alta dos preços para 2%.

Mesmo que consiga maioria no conselho, Trump não poderia definir sozinho as taxas de juros, decididas pelo Fomc. O comitê tem 12 votos. Além dos sete diretores do Fed, votam membros de bancos centrais regionais: o presidente do Fed de Nova York e quatro representantes escolhidos entre os 11 outros bancos regionais, em rodízio.

Os mandatos dos presidentes dos bancos regionais, por sua vez, expiram simultaneamente a cada cinco anos —o próximo vencimento será em 28 de fevereiro de 2026. O conselho do Fed, porém, pode vetar esses presidentes.

A Casa Branca também poderia, em tese, tentar alterar a Lei do Federal Reserve, caso mantivesse maioria no Congresso.

Caso consiga imprimir sua influência na condução da política monetária americana, Trump poderia causar danos à economia global. Segundo economistas, cortes drásticos nas taxas de juros poderiam abalar os mercados de títulos, levando investidores a exigir rendimentos maiores por temerem mais inflação.

Além de juros mais baixos, analistas avaliam que o presidente dos EUA poderia utilizar o Fed para favorecer o uso de criptomoedas, uma de suas bandeiras.

PRÓXIMO PRESIDENTE DO FED

Segundo interlocutores do presidente americano, o indicado à presidência do Fed deve ser Kevin Hassett, o principal assessor econômico da Casa Branca.

Investidores expressam preocupação com a possível nomeação, temendo que ele corte as taxas de juros agressivamente para agradar Trump.

“Acho que o povo americano pode esperar que o presidente Trump escolha alguém que ajude a baratear financiamentos de carros e facilitar o acesso a hipotecas com juros mais baixos”, disse Hassett em entrevista à rede de TV dos EUA CBS.

O presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca já disse que aceitaria o cargo se fosse convidado.



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