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Morre aos 96 Eva Schloss, meia-irmã de Anne Frank – 07/01/2026 – Mundo


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Eva Schloss, sobrevivente do Holocausto, meia-irmã de Anne Frank e uma das principais vozes dedicadas à preservação da memória do genocídio nazista, morreu no sábado (4), em Londres, aos 96 anos. A morte foi anunciada por sua fundação em um comunicado oficial.

Em nota, a família manifestou “grande tristeza” pela perda de uma “mulher extraordinária”, descrita como sobrevivente do campo de extermínio de Auschwitz, educadora dedicada ao ensino sobre o Holocausto e “defensora incansável” da memória, da compreensão e da paz.

O rei Charles 3º e a rainha Camilla também lamentaram a morte. Camilla é madrinha da Fundação Anne Frank UK, cofundada por Eva Schloss. Em mensagem publicada na rede social X, o casal afirmou estar “profundamente entristecido” e disse ter tido “o privilégio e o orgulho” de conhecê-la. Em 2022, o monarca chegou a dançar com Eva durante um evento em Londres.

Eva Schloss foi uma das fundadoras, em 1990, da organização Anne Frank UK, criada com o objetivo de transmitir a memória do Holocausto às novas gerações e de combater o preconceito. Ao longo de décadas, dedicou-se a relatar sua experiência pessoal em escolas, prisões e eventos públicos, sempre com foco na educação e na promoção do diálogo.

Nascida Eva Geiringer, em 1929, na Áustria, ela ainda era criança quando os nazistas invadiram o país. Sua família judia fugiu primeiro para a Bélgica e, depois, para Amsterdã, na Holanda, onde passou a viver em frente à casa de Anne Frank —que mais tarde se tornaria conhecida em todo o mundo por causa do diário escrito durante o período em que esteve escondida.

Eva e Anne tinham a mesma idade e costumavam brincar juntas. A partir de 1942, porém, as duas famílias foram obrigadas a se esconder para evitar a deportação. Dois anos depois, ambas foram traídas por um simpatizante nazista.

Eva, sua mãe, Elfriede, o pai, Erich e o irmão Heinz foram presos no dia em que ela completava 15 anos e enviados para Auschwitz, em maio de 1944.

No campo de extermínio, Eva conseguiu permanecer em contato com a mãe, mas foi separada do pai e do irmão, que foram assassinados. Anne Frank, por sua vez, morreu em 1945 no campo de concentração de Bergen-Belsen.

Após a libertação, em 1945, Eva se mudou para Londres, onde foi estudar e conheceu seu futuro marido, Zvi Schloss. Sua mãe retornou a Amsterdã e, em 1953, casou-se com Otto Frank, pai de Anne Frank, que sobreviveu a Auschwitz, mas ficou viúvo.

O casal Schloss teve três filhas e adquiriu a nacionalidade britânica. Em 2021, aos 92 anos, Eva Schloss recuperou também a cidadania austríaca. Autora de vários livros, ela percorreu o mundo relatando sua história e alertando sobre os riscos do antissemitismo e do extremismo.

Em comunicado, Gillian Walnes, vice-presidente da Fundação Anne Frank no Reino Unido, destacou a vitalidade de sua atuação mesmo na velhice. Segundo ela, “com mais de 90 anos, Eva falava com paixão incansável, muitas vezes fazendo várias palestras por dia, inclusive em prisões e escolas”.

“O legado de Eva continua vivo nas vidas que ela tocou e na história que manteve viva com tanta coragem”, afirmou Walnes.



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