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Quem criou o calendário? Conheça a história do instrumento
Já reparou que a palavra “tempo” tem muitos significados? O dicionário Michaelis registra 16 diferentes significados que esse termo pode ter. Ele pode se referir a um período (“fazia tempo que não o via”), ao clima (“hoje o tempo está nublado”), a uma época (“no meu tempo as coisas eram diferentes”) ou indicar o momento propício para se fazer algo (“não consigo tempo para viajar”).
A última edição especial da Folhinha trata da primeira definição da palavra: é um calendário, esse instrumento antiquíssimo para marcar a passagem do tempo, para você grudar na parede e consultar durante o ano de 2026 inteirinho.
Falta, aliás, pouco para o Réveillon, aquele momento em que o mundo todo para para fazer a contagem regressiva e celebrar a chegada de um novo ano. Mas você já pensou como foi decidido que a festa aconteceria nessa data? Essa é uma história antiquíssima, que começou a se desenrolar muito antes do nascimento de Jesus Cristo —o marco zero do nosso calendário. Veja a seguir como os calendários surgiram.
O primeiro calendário
Os calendários surgiram a partir da necessidade dos humanos de entender com precisão a mudança das estações, o que ajudava no plantio e na colheita de alimentos, e a saber a hora certa de fazer festas e cerimônias religiosas. As primeiras referências para isso foram os ciclos da Lua e do Sol.
Primeiro, a Lua
Talvez você já saiba que as primeiras civilizações surgiram na Mesopotâmia, onde hoje fica o Iraque. A mais antiga dessas civilizações foi a dos sumérios, que inventaram uma das primeiras formas de escrita, os primeiros sistemas matemáticos, a roda e… o primeiro calendário. Isso se deu mais ou menos 3.000 anos antes de Cristo. Esse calendário tinha 12 meses de 29 ou 30 dias, que eram marcados pelo ciclo da Lua —a cada lua nova, um novo mês começava. Também foram os sumérios que criaram o sistema sexagesimal, que divide a hora em 60 minutos e os minutos em 60 segundos.
Depois, o Sol
Apesar do fato de que os ciclos da Lua são mais fáceis de serem observados (justamente porque são mais curtos), eles não correspondem exatamente ao ciclo solar, o que fazia com que o calendário sumério ficasse dessincronizado do Sol e da Lua ao longo do tempo. Atentos a essa questão, os egípcios criaram o primeiro calendário baseado no ciclo do Sol, que marca as estações do ano e, por isso, tem muito mais influência na agricultura. Ele tinha 360 dias divididos em 12 meses, e mais cinco dias extras no final, cada um dedicado a um deus diferente, para fechar o período.
Uma conta que não fecha
Algum tempo depois, as pessoas perceberam que, apesar de melhor, o calendário egípcio e o calendário lunar romano, inspirado nele, ainda eram meio atrasados em relação às estações do ano. Isso porque o ano do ciclo solar tem algumas horas a mais que os 365 dias redondos. Por isso, no ano 46 antes de Cristo, o líder militar romano Júlio César criou o calendário juliano, que previa um dia a mais no calendário a cada quatro anos. É o ano bissexto, que aconteceu em 2024 e vai acontecer de novo em 2028.
O ano que durou 15 meses
Além disso, o calendário juliano criou outros dois meses extras para tirar o atraso que existia. Por isso, o ano em que ele foi introduzido teve 445 dias divididos em 15 meses —o mais longo da história ocidental, que não à toa ficou conhecido como o ano da confusão.
A noite que durou 10 dias
O calendário Juliano ajustou os ponteiros do tempo, mas a conta ainda não estava certa, porque o imperador e seus astrônomos assistentes arredondaram os 365,2422 dias para 365,25 —o equivalente a 11 horas contadas a mais por ano. Não deu outra: em 1582, perceberam que o calendário estava adiantado. E aí o manda-chuva da época, o papa Gregório 13, ajustou os ponteiros mais uma vez, removendo 10 dias do calendário. Ou seja: naquele ano, as pessoas dormiram na noite de 4 de outubro, mas acordaram no dia 15 de outubro.
Enfim, o calendário atual
O papa Gregório 13 também criou uma nova regra para os anos bissextos. Eles continuariam ocorrendo a cada quatro anos, mas os anos seculares (aqueles com zero zero no final) só poderiam ser bissextos se fossem divisíveis por 400 —por isso, 1900 não foi bissexto, mas 2000 foi. Esse é o calendário gregoriano, que usamos até hoje.
Calendário Chinês
Neste ano, em meio às comemorações do nosso Carnaval, repare que o noticiário deve informar sobre a chegada do ano do cavalo no calendário chinês. É que por volta de 2600 a.C., os chineses criaram o seu próprio sistema de registro do tempo. Nele, cada ano é simbolizado por um animal. Além do cavalo, há o ano dos seguintes bichos: rato, boi, tigre, coelho, dragão, serpente, carneiro, macaco, galo, cão e porco. Os chineses ainda usam esse calendário para marcar festas e celebrações, mas no dia a dia, nós e eles vivemos no mesmo sistema de contagem do tempo.
Conclusão
A história do calendário é uma fascinante jornada através do tempo e das civilizações. Desde os sumérios até o calendário gregoriano que usamos hoje, cada passo foi crucial para a forma como entendemos e organizamos nosso tempo. Ao celebrarmos datas importantes, como o Réveillon, devemos lembrar que essas tradições têm raízes profundas na história da humanidade. Para saber mais sobre como começamos a dividir o tempo em meses e anos, confira este link.
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